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terça-feira, 24 de julho de 2018

Na oficina: a esfericidade das esferas.

A bicicleta é aquela máquina que brilha pela eficiência, aliás, em termos energéticos é mesmo o veículo mais eficiente:

Image result for most efficient vehicle bicycle chart

Para isso acontecer, tudo tem de rolar bem e sem grande esforço. Aí entram muitos factores e componentes, sendo um deles, o baixo atrito na rotação das rodas. Não se trata de tecnologia nova, mas as rodas com rolamentos de esferas continuam a ser uma solução muito interessante ainda que precisem de alguma manutenção de x em x tempo.
Normalmente quando se ouvem ruídos estranhos, essa manutenção já chega tarde pois o que vamos encontrar dentro do cubo terá este aspecto:


"Esferas" pouco esféricas.

Se usam cubos simples ou clássicos, não selados, convém abrir, limpar e re-lubrificar todos os anos (excepto se for bicicleta que vive mais em exposição que a rolar) - é o tipo de manutenção que, mais que desejável, é mesmo necessária.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Na oficina: rodas criativas

Entra uma bicicleta (daquela marca que não gostas) na oficina com um furo.

Respiras fundo e cantas o mantra "Todas as bicicletas são lindas e merecem o nosso amor!"

Depois vês isto...


Raios de tamanho aleatório, 60% deles demasiado grandes e espetados contra a fita de aro - ninguém merece isto :(

"Todas as bicicletas são lindas e merecem o nosso amor!" "Todas as bicicletas são lindas e merecem o nosso amor!" "Todas as bicicletas são lindas e merecem o nosso amor!" "Todas as bicicletas são lindas e merecem o nosso amor!" "Todas as bicicletas são lindas e merecem o nosso amor!" "Todas as bicicletas são lindas e merecem o nosso amor!" "Todas as bicicletas são lindas e merecem o nosso amor!" "Todas as bicicletas são lindas e merecem o nosso amor!" 


domingo, 31 de dezembro de 2017

Na oficina: restauros "Bonito durante o primeiro mês"


Por vezes aparecem cá na loja *"restauros" feitos noutros lados, e para alguém trocar de "casa" é porque as coisas não correram muito bem.

Este exemplar corresponde à designação "Bonito durante o primeiro mês". Porquê?
Bom, sem falar do resto que não está visível na imagem:

- deram-se ao trabalho de re-enrair as rodas, mas foram.sovinas e meteram raios zincados. Vão enferrujar rápido.
- em vez de cromar os aros, limparam com malha de aço fina - deu um bom resultado, pelo menos até ao cliente chegar a casa. Passados uns tempos ficam assim :p

Recuperar uma bicicleta, ou até restaurar, não sai barato. Quando se quer fazer barato, sai mal. 
Das duas uma: ou se deixa a patine e se poe a bicicleta simplesmente a funcionar de forma segura e fiável, ou então faz-se uma recuperação a sério. 

* apesar de palavra muito utilizada, a verdade é que raramente se fazem restauros já que na sua essência representam a recuperação da bicicleta ao estado em que saiu de fábrica, seja na opção dos componentes, seja no seu estado.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Na oficina #5


Numa loja onde privilegiamos bicicletas em aço, acabamos por ouvir vezes demais "o alumínio não é melhor por não enferrujar?".
Para além de pouco mais leve (até mais pesado que determinadas ligas de aço mais evoluídas) e de proporcionar normalmente muito menos conforto e elegância, o alumínio também sofre de corrosão.
Não enferruja mas fica corroído e o resultado é bastante feio como acho que fica bem ilustrado na fotografia ali em cima...

Por hoje é tudo - já que estamos no tempo invernil, mantenham a vossa bicicleta sempre limpa e bem lubrificada., mas continuem sempre a pedalar!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Na oficina #03 - coisas bonitas




Ainda antes de o limpar, não resisti a fotografar este desviador Shimano RD-7402. 
Representa quanto a mim uma das linhas clássicas mais bem conseguidas da Shimano, e isso até explica a sua longevidade já que foi produzido dos anos 80 aos 90. Equipou muitas bicicletas que viram sucesso nas grandes provas, sendo na sua fase final já incorporado no sistema de indexação Shimano (8 mudanças).

A qualidade de construção e o rigor aplicado em todos os detalhes justificam bem o estatuto de topo de gama à época.

Detalhe das roldanas.



E finalmente uma imagem do grupo completo.




segunda-feira, 17 de julho de 2017

Na oficina #2 - arqueologia Shimano


Corriam os anos 70 e a (hoje) gigante Shimano tinha aparentemente gostos ornitológicos - dava nomes de pássaros aos seus componentes.
Esta foi uma fase em que a Shimano tentava aumentar mercado piscando o olho à, na altura, gigante Schwinn a quem venderam muitos destes desviadores. Acho que o lettering e a escolha de uma ave muito americana não foram inocentes.



Na rúbrica "na oficina" de hoje temos dois belo exemplos, o desviador traseiro um Shimano Eagle, descrito pelo Sheldon Brown como "strongest derailleur ever made and the best of it's era".

Aparentemente esta robustez provinha da sua construção inteiramente em aço, bem como da protecção contra pancadas inadvertidas. O preço a pagar era o peso - algo em torno dos 450 gramas!?!
Mesmo assim, e porque o peso muitas vezes é um pormenor, é uma peça bem bonita que funciona muito bem. 


O desviador frontal faz linha e é um Shimano Thunder Bird. Também é uma peça bastante elegante, com construção completamente em aço, cumpre perfeitamente o seu papel, mais uma vez sem grandes preocupações com o peso.


E por hoje dou por terminada a sessão no gabinete de curiosidades velocipédicas da oficina Velo Culture do Palácio.
Até já!